segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Cascata

Existem lugares na nossa mente que nos fazem delirar, fantasiar, voar... Porém nem sempre os conseguimos alcançar. Por vezes estão longe, bem longe fora do nosso tempo, da nossa presença.

Mas existe um lugar, difícil de encontrar, bem distante, onde os sonhos se concretizam e a paixão existe. Ai não existem rostos, nomes, apenas a presença constante de amantes que esvoaçam sobre o desconhecido em busca de coisas que nem em sonhos se atreveram pedir.

Dá-me a tua mão, irei te indicar o caminho por entre passagens e labirintos que jamais sonhaste existirem.

Fecha os olhos e imagina aquele lugar numa noite escura, daquelas em que tudo esquecemos até de nós mesmos. Uma noite que desejamos não recordar, mas jamais esqueceremos.

Sabes, as noites são mágicas neste lugar. Existe no ar uma mistura de enxofre e verdura que sobe no fumo da água. Teríamos que acender algumas velas, a noite cobre por completo aquele lugar. Sentes apenas o cair da água e o cheiro intenso das caldeiras.

Firma bem os teus olhos e deixa que a tua imaginação te conduza. Consegues sentir cada sabor deste lugar, cada som vindo das águas em queda, do silencio que nos faz ouvir o bater apressado dos corações?


Tu pediste-me que fechasse os olhos deste-me a mão...

Abri levemente os olhos, e sob o reflexo, nas águas quentes, vi o teu corpo reflectido. A tua roupa molhada fazia transparecer as formas do teu corpo. O reflexo do teu desejo espalhava-se a cada instante. Os segundos quase parados fizeram olhar dentro de ti fizeram ver este teu desejo.

Levemente subi a mão, e passei pelos teus cabelos agora molhados também. Acariciei-os por longos instantes enquanto um sorriso de tranquilidade emanava de dentro de ti. Pousaste a cabeça na palma da minha mão e te aconchegavas a cada caricia deixando-te ficar como se mais nada existisse, como se o tempo parasse. Trazias no rosto o mesmo esboço de um sonho bom que nunca desejamos perder, do qual não desejamos acordar.

Lentamente percorri o teu rosto explorando os seus contornos, procurando com o tacto os traços da tua felicidade. Levemente oscilavas a cabeça como se desejasses conduzir a minha mão pelos sonhos que te percorriam a mente.

Sem força e sem resistência deixaste os teu lábios colarem-se aos meus. Os momentos passavam e as nossas bocas continuavam numa dança escaldante. Mas lentamente, como o tempo que teima em não passar, sentíamos cada beijo percorrer os nossos corpos, sentíamos que cada beijo afundava-se dentro de nós, sentíamos que cada beijo nos conduzia à paixão.

As roupas agoniavam-se nos nossos corpos agora quentes, talvez pela paixão... quem sabe pelo calor das águas sob a lua desta noite.

Suave como cada beijo que saia da tua boca sobes a mão lentamente, com cuidado, insegura, com a delicadeza de um beijo pedes permissão.

Num silencio vasto escondeste para te revelares no toque suave no meu rosto. As tuas mãos percorriam-me o corpo, sentia junto ao meu peito a tua respiração. Rápida como o palpitar do teu peito agora desnudado pela noite.

Num gesto repentino arrancaste-me a roupa e agarraste-me a mim. Senti o teu cheiro, senti o teu apressar enquanto descia os lábios ao longo do teu pescoço trémulo e inseguro.

Por momentos vi os teus olhos fumegantes de paixão. Senti os teus dedos vibrarem, sentia-te vibrar.

Abandonei o teu pescoço....

A noite continuava calma e serena. Como bem nos convidava à paixão. Era aquela luz tosca do luar que nos fazia atrever em cada passo, a cada beijo, ao palpitar dos corações apressados.

Era sob este luar que as águas se iam agitando com suavidade envolvendo-nos em sons relaxantes que nos atordoavam os sentidos e nos elevavam o desejo.

Mergulhava em ti e sentia-te cada vez mais ofegante. Sentia que a qualquer momento poderias explodir em prazer. As tuas mãos acompanhavam cada gesto, cada beijo.

Agarrei as tuas mãos e juntos percorríamos o teu corpo enquanto dos teus lábios ouvi o primeiro gemer de amor. Fechei de novo os olhos e deixei que elas explorassem que me contassem os teus segredos, os contornos do teu corpo. Deixei que cantassem cada nota que ti emanava nesta noite em que a tormenta se mistura com luxuria.

Sentia-te a deslizar por entre os dedos. Senti a tua pele suave que se eriçava a cada passagem enquanto ondulavas ao mesmo ritmo como se a tua pele comunicasse sussurros invisíveis, inaudíveis, às pontas dos meus dedos.

E sempre que julgavas que desceria beijava-te mais intensamente. Confundia-te o desejo deixando-te na expectativa de algo que se adivinhava para breve.

Com a mesma suavidade olhavas-me como quem pede por mais, muito mais. Lançavas doces lanças de encontro aos meus olhos como quem me quer ver morrer nos teus braços naquele instante. Talvez um morrer lento e suave, uma morte por instante, belos instantes. Com esta suavidade imploravas aquilo que para já te faço esperar, por capricho, por sedução. Como é impossível resistir a tal olhar.

Subitamente percorrias o meu peito, lentamente. Beijavas-me a cada momento, palmilhavas com os lábios cada pedaço de mim. Deixavas-me cada vez mais ofegante. Era este o teu jogo, a tua forma de me arrancares algum prazer, de te dar um sinal, de me movimentar na tua direcção, no sentido do teu desesperante desejo.

Torcias-te e contorcias-te agonizando o teu corpo de encontro ao meu. Agarravas-te com toda a tua paixão deixando os teus lábios escorregar sem destino, sem medo.


Escorregar, escorregar....


Poeta das Marés
visitem o meu site em: http://poetamares.blogspot.pt/

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